Capítulo III - Bibbidi-Bobbidi-Boo
Tem horas que a vontade de escrever sobre outros temas é muito grande, porém preciso me conter pra seguir o cronograma que elaborei na minha cabeça. Não simplesmente pra aprender a ter organização, mas porque muitos desses assuntos precisam de uma outra abordagem, uma introdução, algo explicado mais detalhadamente antes de chegar no tópico principal. Agora, por exemplo, não posso falar da minha saúde - algo que mencionarei em praticamente todos meus pensamentos - ou da minha vida social sem antes explicar porque irei utilizar esse espaço para tais assuntos. Além do mais, como qualquer outro reboot, preciso partir do princípio. "O que isso é" e "o que me levou a criar isso".
Nos tempos áureos do ensino médio, eu sempre fui uma pessoa improdutiva a maior parte do dia. Comer, dormir, usar o computador. Pra um adolescente, aliás, eu era muito ativo, pois jogava bola uma vez por semana com meus amigos. Pra falar a verdade, acho que era mais por hábito do que vontade própria. Acostumei a me reunir com eles perder uma tarde inteira nas quadras da faculdade.
De todo modo, fora essa atividade física, eu era um adolescente comum, que pouco fazia durante o dia e, mesmo assim, tinha disposição pra ficar até muito tarde no computador. Conversando com pessoas que nunca viu, jogando jogos que não tinham objetivo, acessando sites que não tinham propósito. O que acontecia nesse horário, ao menos pra mim, foi o que deu início à ideia de transcrever meus pensamentos. Geralmente, quando eu devia estar dormindo, ficava travado na frente do monitor, as vezes até sem nem encostar no teclado e/ou mouse. Se preciso, fechava meus olhos e deixava a música que tocava no momento penetrar minha mente, enquanto divagava sobre várias coisas, do dia-a-dia, da minha vida, do país, do governo, do esporte, do meio ambiente, de qualquer coisa que viesse na minha cabeça. Algumas vezes até eram pensamentos produtivos. E, mesmo que houvesse tantas pessoas pra conversar - aquelas com quem eu nunca me encontrei - , sempre senti falta de me expressar mais, desabafar, pôr pra fora. Pra piorar meu lado, sempre fui horrível com palavras, ainda mais na lábia.
Eis que um dia, assistindo a algum filme (ou desenho, não me recordo...), tive a ideia de escrever tudo que eu elaborava na minha cabeça. Uma conversa comigo mesmo. Um diário...
Um diário?! Não! Não, eu não quero saber o que eu fiz na quinta passada. Não me interessa se eu tive um péssimo dia anteontem, ou se mês passado tive o melhor dia da minha vida. Não me interessa minha vida. Não esses detalhes.
Um diário é como se fosse um amigo, pra quem eu possa contar sobre meu dia, tentar puxar algum assunto, lembrar as coisas que fizemos ao longo da semana. Sem a presença do amigo real, pois ninguém ia me ouvir, falar comigo, sequer saber da minha existência. Estaria falando sozinho. Todos os dias. E escrevendo essa conversa. Isso é deprimente...
Um diário é como se fosse um amigo, pra quem eu possa contar sobre meu dia, tentar puxar algum assunto, lembrar as coisas que fizemos ao longo da semana. Sem a presença do amigo real, pois ninguém ia me ouvir, falar comigo, sequer saber da minha existência. Estaria falando sozinho. Todos os dias. E escrevendo essa conversa. Isso é deprimente...
Não, não. O que eu preciso é algo a mais. São minhas viagens em temas rotineiros que me interessam. Registros sobre o que eu penso sobre os assuntos da vida, pra me ajudar a elaborar uma opinião própria. Algo que me seja útil de imediato, enquanto estou desabafando tudo que se passa na minha cabeça, e a longo prazo, quando eu rever tudo que já pensei, analisar se permaneço com a mesma linha de pensamento ou se evoluí/regredi com o que penso.
Contudo, como registrar esses pensamentos?! Escrevendo, claro. Mas onde guardar? Um caderno é fácil de guardar em qualquer gaveta, todavia eu não teria coragem pra escrever "à mão" tudo que penso, toda noite. Ora, desde quando eu teria coragem de usar caneta todo dia, a noite toda? E isso não era obrigação, como faculdade. Lamento à parte do meu cérebro que teve essa ideia, mas, não.
Então, no computador, é claro. E o principal problema era como iria armazenar. Pensei até em escrever tudo em arquivos do Word e salvar em algum site ou em pendrive. Essa ideia, assim como outras, foram descartadas, até que cheguei a conclusão que usar um blog seria a melhor escolha.
Um blog é de fácil edição, simples e prático para salvar "histórias" pra posteridade. Pontos importantes que eu precisava. Além disso, qualquer um pode ter acesso, o que o torna um meio de comunicação bastante prático já que é um domínio público. Esse é um ponto que eu não queria. Ou melhor dizendo, não era meu foco. Nunca quis plateia, isso está claro desde quando coloquei os "pés" aqui pela primeira vez. No entanto, não iria fazer esforço algum pra evitar. Se alguém encontrasse esse lugar, paciência, pois nunca irei direcionar minhas falas pra você que não seja eu. Estranho a frase, mas muito justa pra minha cabeça.
Assim, decidido O QUE fazer, COMO fazer e ONDE fazer, só me restava dar nome aos bois. Não tenho tanta certeza sobre o ambiente ao meu redor, quando tive essa ideia, nem os fatos que me rondavam na época. Mas, se me lembro bem, o nome veio rápido. Era quase como se fosse algo óbvio. Oras, se é pra escrever sobre o que eu penso, todo dia, sempre no mesmo horário, sempre antes de ir pra cama, que seja então esse tempo. E que não seja simplesmente uma característica, mas uma promessa. Uma responsabilidade. Algo que, na época, era fácil...
Após meia-noite, pouco antes de dormir.
Após meia-noite, pouco antes de dormir.
Quando tudo mudava na minha mente. Quando eu entendia, ou achava que entendia, tudo ao meu redor. Quando eu deveria esquecer do mundo e me focar em mim mesmo.
Horário que, posteriormente, descobri ser um baita problema... Houve momentos que os pensamentos me atacavam com força, mas eu não podia transcrevê-los, pois ainda era 15:47. Assim também houveram momentos que não pude pensar, pois dormia antes disso. Mesmo hoje, ainda é um horário delicado. Mas, vejamos como me sairei nessa nova tentativa.
Já consegui mais de uma semana seguida. Meus parabéns.
Já consegui mais de uma semana seguida. Meus parabéns.
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