Prólogo

São cada vez mais raras as ocasiões em que eu venho aqui. Sempre me surpreende que esse espaço ainda funcione. Isso, talvez, seja um dos motivos que me motive a transcrever o que penso ou sinto. Ver que tudo funciona como se fosse novo, que tenho a disposição todos os recursos que preciso pra me sentir a vontade, acolhido, que ainda há espaço e, mais importante que isso, motivos para continuar frequentando esse lugar.
É triste pensar que, hoje em dia, o que mais sinto é o peso da idade. Não que eu já seja velho o suficiente pra me aposentar, longe disso. Mas já não tenho o vigor de outrora. Mesmo na adolescência, quando tudo me proporcionava um cenário propício para cultivar a preguiça e ociosidade, eu ainda tinha mais energia e disposição para minhas tarefas do que atualmente. Houve momentos em que me privava de uma janta decente em troca de alguns minutos a mais de sono durante a noite. Claro, muito disso pode ser relacionado diretamente com a faculdade, entretanto, não posso negligenciar o fato de que estou mais familiarizado com a rotina universitária, além de ter adequado minha agenda para não me sobrecarregar como antes. Mesmo assim, não consigo ficar tanto tempo acordado sem consequências. Meus black-outs, que eu, inocentemente, acreditei ter começado a controlar em conta da diminuição no número de ocorrências, estão mais recorrentes que nunca. Sequer faço planos de ficar até mais tarde na frente do computador, seja por lazer ou por dever.
Esse baixo vigor é, no mínimo, o meu maior desafio pra voltar a digitar esses textos. Nas poucas vezes, porém, que consegui reunir coragem pra abrir uma nova postagem e começar a transcrição, levava mais tempo que o usual. Nunca quis dizer isso, mas devo admitir: desacostumei a transcrever meus pensamentos. Nunca quis, mas, no fundo, sabia que era algo inevitável. Não que uma hora eu iria parar de pensar, isso é impossível de qualquer maneira, Todavia, essa falta de prática me fez não só esquecer o que escrever, mas também como pensar de maneira organizada, se assim posso dizer.

Não posso ser ganancioso e dizer que estou voltando a preencher esses espaços, muito menos planejar quando serão as próximas vezes que estarei nessa cadeira de plástico, escrevendo um monte de baboseiras pra mim mesmo, imaginando como seria se outras pessoas tivessem acesso.
Por outro lado, não posso ser hipócrita a ponto de dizer que não retornarei, ou que não tenho a intenção. Pelo contrário, gostaria muito de retomar esse hobby. É triste saber que, muito provavelmente, não o farei com a frequência que gostaria, mas já me alegra saber que fiz todo esse texto em uma noite. Em menos de uma hora. Com não mais que 3 apagões.

O cansaço já está começando a me derrubar, novamente, e não quero me delongar demais nessa "introdução". O que registro, hoje, já me é suficiente. Vejamos, agora, se os próximos capítulos serão tão revigorantes como esse foi. Na realidade, seria muito interessante se eles fossem bem mais.

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