Capítulo IV - 18+
Achei uma playlist bem interessante no YouTube, de clássicos do rock dos anos 80. Frequentemente eu procuro esses tipos de música pra ouvir, só pra ficar de boa. Não são do meu tempo, mas me fazem lembrar da minha infância, de certo modo. Quando eu era criancinha e ouvia as músicas que meus irmãos ouviam. Foi assim que Ramones se tornou minha primeira banda favorita - já ameaçava cantar I Wanna Be Sedated antes de aprender Atirei o Pau no Gato, ou Dó-Ré-Mi-Fá - e que descobri que tipo de música foi feita pra mim. Mesmo com algumas mudanças posteriormente.
Não, não estou aqui pra falar de música, nem da minha infância. Estou aqui pra falar sobre meu futuro, mais precisamente, como devo encarar as situações que a vida irá me impor. E essa introdução é só uma maneira de dizer como cheguei a conclusão sobre o que eu precisava pensar, pra começar de vez a reutilizar esse espaço. Esse sentimento que elas me passam, as recordações da minha infância, uma certa nostalgia. Isso não só me faz pensar no passado (de certa forma) distante, mas também no passado mais recente. Minha adolescência, ou um pouco mais tarde que isso, quando comecei tudo isso aqui. Um garoto sem expectativas, acomodado pela vida, que extraía do computador toda a emoção que precisava pra sobreviver mais um dia. Assim como outro qualquer.
Analisando severamente, posso concluir que eu fazia de tudo para passar longe das responsabilidades. Se dependesse de mim - e tem dias que esse pensamento perdura - haveria mais uma infância depois da adolescência, antes de entrar na maioridade. Não há, mas posso dizer que tentei criá-la. Tentei viver com menos responsabilidades quanto fosse possível. Claro, tudo em vão. Assim que terminei o colégio, já acostumado com as mordomias da vagabundice, viajei pro litoral sulista. Não foi a pior viagem, apesar do meu esforço involuntário pra estragar tudo, contudo passou um pouco longe de ser a melhor. Nunca fui fã de praias, ao menos não das que visitei. Porém, não foi a viagem em si que marcou minha fase "adulta". Quando retornei, já estava empregado. Meu primeiro emprego, em um escritório de contabilidade. Havia feito a entrevista antes da viagem, se bem me recordo, então não foi muita surpresa quando voltei. Na verdade, acho que esqueci esse fato (importante) e só lembrei no dia seguinte à minha volta. De qualquer modo, poucos dias após o retorno, comecei minha nova experiência. Office boy em um escritório novo - porém promissor, uma vez que as sócias possuíam experiência e, mais importante, clientes de outros tempos, quando trabalhavam em outra contabilidade - com, a princípio, uma única tarefa: entrega/recebimento de documentos. Tecnicamente, um trabalho simples. Com o passar do tempo, porém, meu comodismo pesou e o emprego já não me motivava mais. Não havia mais a vontade de trabalhar por ser o primeiro emprego. Não havia mais a vontade de trabalhar em qualquer situação. Era satisfatório ter minha própria renda, ainda que morasse na casa dos meus pais. Entretanto, aquilo não me bastava mais. Talvez por querer algo melhor, um emprego com mais chance de crescimento profissional, melhor salário, melhores condições, mais segurança - ou ao menos onde eu me acidentasse menos. Ou talvez eu simplesmente tinha preguiça de trabalhar, o que faz todo sentido. Fiquei quase um ano nesse emprego.
Depois disso, passei por outros empregos, outros cursos, outras fases. Sofri, inclusive, a falta de dinheiro. Fiquei alguns bons meses sem celular, porque não tive grana pra pagar uma bela fatura de mais de 400$. Sim, eu mesmo gastei tudo isso. Aliás, desde o meu primeiro emprego que comecei a acumular contas pra pagar. Conta de celular, celular novo, aulas de bateria, curso de inglês, etc. Pareciam coisas simples, no começo, mas acumulavam com muita facilidade. Um ano antes do meu ingresso na faculdade, fiquei desempregado e as contas bateram com força. Nessa época, comecei a perceber que não poderia mais ser só mais um encostado. Era hora de crescer, aceitar que tinha responsabilidades, fazer escolhas difíceis, deixar orgulho e preguiça pra trás. E consegui o suficiente pra passar no vestibular. Começar uma nova fase na vida. Seria um homem crescido, nessa nova fase.
Demorei algum tempo pra perceber como fui inocente ao pensar assim. Não era só mais uma fase da vida. Eu me deparei com um novo universo, imenso, confuso, agressivo, caindo todo sobre mim. Não preciso dizer que reprovei o primeiro ano.
Entretanto, foi a partir daí que me dei conta do tamanho do buraco que eu havia me metido. Eu já era adulto. Portanto, eu viveria no mundo dos adultos, com responsabilidades de adultos, gostasse ou não. Sem espaço pra diversão ou imaturidade. Tudo que fizer, a partir de então, terá grandes consequências no futuro, boas ou ruins. E eu teria que penar muito pra que elas fossem boas. Teria que penar muito pra que tivesse um futuro. Pra ser mais exato, teria que penar muito pra qualquer coisa.
Nesse momento, relembro meu professor de Química, e faço minhas as palavras dele. Como ele sempre dizia, "Nem tudo na vida são flores". Ainda hoje tento mudar meu jeito de ser, encarar a vida de frente, aceitar as responsabilidades que tenho e lutar pra que possa cuidar de todas elas. Não é fácil pra quem até se orgulhava de ser preguiçoso. Minha luta é contínua, árdua. E, quanto mais me esforço pra crescer, mais motivos - ou talvez devesse dizer desculpas - eu encontro pra fazer o contrário. Porém, como dito antes, não posso parar de lutar. O mundo nunca vai me dar descanso, tampouco posso me dar a esse luxo. Talvez, essa seja uma das melhores maneiras de explicar como o mundo funciona e o que esperar quando se torna alguém "independente". Uma luta incessante pra não ser devorado pelo mundo e, ao mesmo tempo, conseguir vencer a vida.
Nesse momento, relembro meu professor de Química, e faço minhas as palavras dele. Como ele sempre dizia, "Nem tudo na vida são flores". Ainda hoje tento mudar meu jeito de ser, encarar a vida de frente, aceitar as responsabilidades que tenho e lutar pra que possa cuidar de todas elas. Não é fácil pra quem até se orgulhava de ser preguiçoso. Minha luta é contínua, árdua. E, quanto mais me esforço pra crescer, mais motivos - ou talvez devesse dizer desculpas - eu encontro pra fazer o contrário. Porém, como dito antes, não posso parar de lutar. O mundo nunca vai me dar descanso, tampouco posso me dar a esse luxo. Talvez, essa seja uma das melhores maneiras de explicar como o mundo funciona e o que esperar quando se torna alguém "independente". Uma luta incessante pra não ser devorado pelo mundo e, ao mesmo tempo, conseguir vencer a vida.
Assim como a luta não acaba, esse pensamento também não tem fim. A vida universitária é uma das piores maneiras de entender o mundo, todavia, também é uma das melhores fases da vida, se não a melhor. E eu ficaria aqui a semana inteira, com o mesmo pensamento, fazendo uma ponte simples entre maturidade e ensino superior. Porém, conhecer os limites do corpo também faz parte de ser uma pessoa mais responsável. E o meu já está bem cansado... Deixo esse pensamento em aberto, pra dar espaço pra possíveis sonhos.
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