Capítulo V - O Despertar da Força
Suponhamos ser um astronauta, a bordo de um ônibus espacial ou qualquer outra nave tripulada que orbita nosso planeta, assim sendo pelos últimos anos. Sua equipe cuida de todos os detalhes da nave, diariamente, pra que nada falte. Os procedimentos padrões já podem ser chamados de procedimentos naturais, tal é a fluidez com que são feitos. O seu trabalho é garantir o aprimoramento do maquinário. A cada novo dia, uma luta incessante consigo mesmo, sempre tentando melhorar o que já existe. Tudo para que, num dia tão aguardado, vocês possam voltar a Terra, descer em segurança, para uma nova vida, muito parecida com a que teve antes dessa viagem.
Quando menos se espera, todavia, chega o grande dia. Não há mais tempo pra preparativos, contudo, sua equipe está pronta. Resta apenas confiar nas próprias habilidades, além de torcer para que seja tudo conforme o que você veio treinando até então. Um longo tempo, desde a primeira etapa de descida até o fim da aterrissagem no planeta. Porém, a concentração é enorme. Todos estão focados de tal forma que, em questão de minutos, 3 dias já se passaram. No fim da aventura, a nave volta a ficar em estado de repouso. Agora, porém, repousando na Terra. Lar, doce lar. Você conseguiu. Uma nova vida pela frente. Uma nova aventura. Uma nova festa, pra comemorar tudo isso. Tudo é alegria.
Quando menos se espera, todavia, chega o grande dia. Não há mais tempo pra preparativos, contudo, sua equipe está pronta. Resta apenas confiar nas próprias habilidades, além de torcer para que seja tudo conforme o que você veio treinando até então. Um longo tempo, desde a primeira etapa de descida até o fim da aterrissagem no planeta. Porém, a concentração é enorme. Todos estão focados de tal forma que, em questão de minutos, 3 dias já se passaram. No fim da aventura, a nave volta a ficar em estado de repouso. Agora, porém, repousando na Terra. Lar, doce lar. Você conseguiu. Uma nova vida pela frente. Uma nova aventura. Uma nova festa, pra comemorar tudo isso. Tudo é alegria.
A porta da nave começa a abrir, lentamente.
Você não se cabe de alegria. Esperou todos esses anos, se preparando desde o princípio, pra esse momento em particular.
A porta já está entreaberta.
Mais alguns segundos, que demoram uma eternidade, cada um. Só mais alguns segundos e você estará na terra prometida. O lugar que sempre sonhou em estar, que nasceu pra estar, que lutou pra estar.
A porta está quase completamente aberta.
Uma última ajeitada no uniforme, pra estar bem apresentável nesse momento histórico. Uma massagem nas bochechas, pois elas doem de tanto que você sorri.
A porta se abriu completamente. A escadinha está a disposição.
Respire fundo. Feche os olhos por um instante. Sinta a brisa, quase esquecida, mas ainda familiar. Você batalhou muito pra chegar aqui. Já pode dar um descanso à sua cabeça.
Você coloca os pés pra fora da nave.
Sua mente se esvazia completamente. Toda preocupação que você tinha, toda angústia antes da sua chegada, toda aflição com os preparativos. Tudo se vai, tirando um peso enorme da sua cabeça. Com elas, também vai sua alegria, sua euforia, sua compreensão do que é real. Por pouco, sua sanidade não as acompanha.
Seus pés não se mexem. Você não consegue descer, ainda.
Mais que imediatamente, sua mente volta a ser preenchida. Espanto, confusão, loucura, dúvidas, incredulidade. Pavor. Esse não é o lugar que você sonhava. Não assim.
Uma força te empurra pra fora da nave. Você cai com a cara no chão.
O que é tudo isso? O que está acontecendo? Onde eu estou? Quem são essas pessoas? O que elas estão falando? Por que eu estou aqui?
Você olha ao redor. Está sozinho. Sua equipe, junto da nave, não mais existem.
O local é muito conhecido. Você cresceu aqui. Conhece cada tijolo, planta e ave que existem aqui. Mesmo assim, a sensação que você tem é que nunca esteve aqui. Seres de todos os cantos do universo, das mais variadas raças, formas de vida que você nunca imaginaria existir, nem com o mais alto grau de química correndo em suas veias. Não há um ser vivente que lhe pareça familiar. Não com humano. O mais próximo de algo que possa ser reconhecido são criaturas que te fazem recordar de velhas lendas sobre criaturas das trevas. Tais lendas, no entanto, não chegam perto do conto de terror que você começa a viver. Essas criaturas não simplesmente existem, como estão ao seu redor. Você é o único "ser de outro mundo" que está na região. Um verdadeiro milagre que você não definhe, não caia de joelho, berrando em desespero, lavando o chão com lágrimas de horror. Não há o que fazer, aliás. Nenhum lugar pra correr, ninguém pra te ajudar, nada pra te tirar dali. O chão em que foi atirado é, talvez, a única coisa que se assemelhe com o lugar que você tanto sonhou. Pouco a pouco você começa a aceitar a situação, compreendendo que esse é um novo universo. Algo muito maior que você. É essa compreensão que te faz querer se agarrar ao chão. Ainda que mínima, você sente um pouco de segurança, jogado aí. Um grande desejo de permanecer nessa posição, e não precisar desbravar seu novo lar, começa a crescer em você.
E assim se passa quase um ano. Mesmo que se acostume cada vez mais com o que vê ao redor, não pode negar o fato que não será sempre assim. Quanto mais o tempo passa, mais hostil o lugar se torna. Continuar "vivendo" por aqui não é uma boa ideia. Não é ideia alguma. Você precisa sair o mais rápido possível, de preferência vivo. Mas, pra isso, precisa lutar. Levantar e encarar cada desafio que aparecer na frente. Mesmo que não goste, você não pode desistir. Já teve tempo suficiente pra desistir antes de vir pra cá. Agora é hora de superar cada obstáculo que encontrar, começando pelo mais difícil: se levantar. E se alguma coisa te jogar no chão, novamente, levante mais uma vez.
Esses pensamentos te motivam a se reerguer e tentar encarar o novo mundo. Não te manterão em pé pra sempre, mas serão o suficiente pra te fazer voltar pra luta. Assim será cada dia de sua nova vida. Sempre uma nova conquista, sobreviver num ambiente desses. Seu tempo é curto, porém a recompensa é enorme. Precisa acreditar nela e fazer o que for necessário pra merecê-la. Até lá, ainda há muito chão pra ser percorrido.
Já estou na metade do meu curso e acho que nunca fiz uma analogia tão boa quanto essa. Até fiquei mais interessado pela faculdade. Preciso escrever mais sobre isso.
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